Episódio de hoje: Beijing artística

No primeiro dia de viagem resolvi sair do óbvio e conhecer o distrito artístico de Beijing, chamdo 798.

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Em meio de antigos galpões de fábrica, peças de cerâmica tradicional, formando lindas texturas; sombrinhas pintadas à mão, aquarelas, caligrafia e também arte contemporânea e grafite, porque não?

Me lembrando Berlim, pela loucura e mistura, mas realmente com uma alma própria e originalidade que jamais vi na China. Esse lugar realmente parece completamente à parte da capital comunista chinesa.
Então, se passar por aqui, depois da muralha conheça a Beijing alternativa de 798, vale muito a pena!

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Episódio de hoje: byebye Shenzhen

Há mais de um ano quando aceitei o convite para trabalhar na China, muitas pessoas me acharam louca, outras disseram
eu ser corajosa.

Acho que não fui nem uma coisa nem outra. Hoje entendo que fui
abençoada.

Abençoada por ter a oportunidade de conhecer pessoas do mundo inteiro.

Abençoada por aprender a me comunicar das mais diversas formas.

Abençoada por poder conhecer e absorver a sabedoria chinesa.

Abençoada por poder desconstruir a imagem que tinha de mim mesma e me reinventar.

Abençoada por encontrar amor e generosidade em cada coração que me conectei aqui.

Abençoada por não ter sentido diferença ao invés de ter que aprender a conviver com elas, como muitos sugeriram.

É com dor no coração que me despeço dessa cidade onde encontrei meu caminho. E agora parto para outros!

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Episódio de hoje: Macau Vegas Portugal

Quando falavam que Macau era pequeno, não imaginava que era tanto.

A antiga colônia portuguesa encanta qualquer brasileiro com as sinalizações na nossa língua junto à caracteres chineses.

No entanto, além de algumas ruínas e prédios estilo português pouco sobrou do estilo da terrinha aqui.

Fui enganada pelo Zeca Camargo: ninguém fala português aqui. Confuso, porque todos endereços são português, mas nem o taxista sabe onde você quer ir.

A verdade, é que Macau virou a Las Vegas asiática e todo mundo vem aqui para jogar e se divertir.

A jogatina pode ser muito excitante. Mas, nesse ganha e perde, meu amigo não soube a hora de parar e acabou perdendo o que ganhou e mais do seu dinheiro.

Por isso, se for a Macau, lembre-se de 3 coisas: a ilha é muito pequena, dá para fazer tudo a pé, não caia no conto do vigário chinês como nós e pague um motorista pra te levar. Não se engane, falar português não tem nenhuma real vantagem aqui. E se for jogar, pare no momento que ganhar algum, se conseguir, porque “the house always wins”.

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Episódio de hoje: existe amor em Hong Kong

Pra quem acaba de chegar em Hong Kong pode se assustar com a quantidade de prédios e luminosos, a primeira vista pode parecer só mais uma cidade grande, sem alma. Mas, a verdade é que a cidade se revela pouco a pouco, e cada dia mais vc pode se apaixonar por ela.

Saindo da confusão e o ritmo louco de Central ou Tim Sha Tsui (as áreas mais frequentadas pelos turistas) você pode fugir para Sai Kung, um bairro, verde e tranquilo.

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No mercado de Sai Kung vc pode pegar um mini bus para a praia, mas vá cedo. Pois o último ônibus de volta é às 16h45. Quase impossível achar um taxi, e a roubada é ainda maior por não ter sinal no celular por lá. No entanto, isso que fez a nossa noite.

Pois, esperando por um carro, eu e um amigo argentino conhecemos uns britânicos que acabamos divindo o taxi e compartilhando histórias pela noite no famoso pier de Sai Kung, com os frutos do mar mais fresquinhos (vc escolhe em tanques) e baratos do mundoooo.

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Entre uma cerveja e outra, um desses senhores de Londres me contava porque seu coração está em Hong Kong. A princípio a cidade era só uma parada (literalmente) para um voo que faria a Nova Zelândia para visitar uma namorada. Acontece que antes de embarcar, ela mandou uma carta (na época) dizendo que estava grávida (de outro!!!).

De coração partido, mas com passagens já compradas, resolveu pegar o voo mesmo assim e ficar na parada, não no destino final, evitando a moça, já ex. Eis que essa parada já dura 10 anos e deu frutos, tem um filhinho lindo e sua mulher (hongkoneasa e uma graça) está grávida.

Achei tão lindo, como uma história onde parecia tudo ter dado errado, fez dar vida à história DA SUA VIDA. A história de amor por Hong Kong.

PS: Esqueci minha camera neste dia, as fotos aqui são by Google images só para ilustrar.

Episódio de hoje: as aventuras de bicicleta em Yangshuo

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Ir para Yangshuo e não andar de bicicleta é o mesmo que ir a Roma e não ver o papa. De qualquer forma, acho Yangshuo mais interessante que a capital italiana e andar de bicicleta uma experiência muito mais espiritualizada, me desculpem os católicos.

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No trajeto para a Dragon Bridge, do centro da pequena cidade, você demora umas 2h30. É um passeio, onde o caminho é muito mais interessante que o lugar de chegada. Passa por vilas, trilhas, e tudo cercado pelas lindas e famosas montanhas da nota de 20yuan.

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Outro lugar interessante para ir, é Xiping. Esse recomendo ir de bamboo boat (ok, o nome desse post deveria ser aventuras de bicicleta e de barco também). Mas, vá cedo, fuja dos navios e turistadas durante a tarde. Nós fomos às 7h da manhã e nossas únicas companhias eram o Rio Li, as montanhas e alguns poucos pescadores.

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E por fim, numa estrada mais bem estruturada, com asfalto, você pode ir até a Water cave. Não deixe de parar no caminho e tomar um suquinho nesse lugar mais que charmoso.
Pra quem está meses mochilando ou morando na China como eu, vai fazer toda diferença.

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A caverna é bem aquela coisa exploração turística, com guias chatos repetitivos e nem um pouco interessantes. Mas tudo vale a pena, para o banho na piscina de lama no final e depois um banho em águas termais, suuuper relaxante.

Tão relaxante, que nem nos estressamos com o pneu furado da bicicleta no final. Aliás isso deu um maior sabor a toda aventura. Jogamos a bike na caçamba de uma moto, sim uma moto com caçamba, coisas da China. E aí a diversão tava feita.

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Mas, a pedalada mais marcante e que infelizmente não tenho fotos. Foi voltando do centrinho da cidade à noite para nosso hostel, passando por uma grande ponte no rio Li, e simplesmente nenhuma luz a não ser o do luar (especialmente lindo) e da nossa pequena lanterna. Uma sensação de liberdade, como se não houvesse mais nada, só aquele momento.

Yangshuo e a bicicleta fizeram eu me reconectar comigo. Pedalar ou simplesmente não fazer nada, só estar na rede, olhando a linda paisagem era o suficiente. A felicidade é simples.

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Episódio de hoje: no país das bicicletas

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Não sei se todos sabem mas eu aprendi a andar de bicicleta bem tarde, lá pelos 17, na mesma semana que passei no vestibular. Além disso, eu não dirijo.

Então o meu sonho sempre foi morar num lugar onde eu pudesse me locomover somente de bicicleta. E assim que fui convidada pra vir pra China minha amiga me disse: viu, vc vai para o país das bicicletas.

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Porém, quando cheguei aqui fiquei me deparei com um transporte público muito bom. E acabei me esquecendo da bicicleta, mesmo tendo muitas por aqui, de todo tipo: carregando o que você nem pode imaginar, com sombrinha, levando 4 pessoas, buzinando tempo inteiro, andando na contramão, na calçada, entre as pessoas, sem falar nas elétricas (que não são nada cool como as do Brasil) que servem de taxi, e lembram a garele da minha vó, lembram disso?

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Fiquei entusiasmada com o metro, por poder ir para todos os lugares, sem precisar falar um palavra de mandarim, tive a independência que nunca havia sentido antes em Floripa, pela dependência do ônibus e carona.

Um dia me dei conta que eu não conhecia a cidade, só os pontos finais, pois eu só via ela por baixo.

E um dia fui caminhando da minha casa até a casa de uma amiga, e percebi quão lindo era o meu bairro, e voltei a apreciar os caminhos, coisa que sempre faço em Floripa. Percebi assim, quanto eu havia perdido esse tempo todo andando só de metro.

Chegando na casa da minha amiga, contei isso e ela me disse:
– por que você não compra uma bicicleta? Sua vida vai mudar aqui, vai pegar novos caminhos, conhecer a cidade…

Bem, não estava nos meus planos financeiros do momento ehhehe, mas pareceu a coisa certa a ser feita. E estou apaixonada, não só porque ela é linda, amarela e com campainha e tudo. Mas, porque pra mim além de uma superação, ela abriu meu mundo, minhas possibilidades. Agora vou trabalhar de bike, meu dia é muito mais feliz!

No próximo episódio minhas aventuras de bike pela cidade de Yangshuo.

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Episódio de hoje: não jogar o primeiro garfo…, oops pedra.

Aconteceu uma situação comigo esses dias bem interessante e até engraçada. Encontrei meu garfo na cozinha sujo. E logo fui perguntar para meus colegas de trabalho se alguém tinha usado e deixado sujo (estava meio puta). Aí todos me olharam com aquela “cara de poodle”, como dizia um professor meu, sem entender nada. E disseram que não tinha sido eles.

Ok. 2 segundo depois da minha pergunta idiota, eu me toquei: quem usaria meu GARFO na China?!? Dãrrr, como eu não me toquei que nem garfo direito sabem usar, comem sempre de palitinhos (só explicando caso isso não esteja óbvio pra todo mundo). Claro, que fui eu mesma que esqueci ele sujo lá.

Acho que apesar de algo muito simples, pude tirar muitas lições dessa cena.

-Antes de julgar alguém pense antes nas questões culturais (obviamente essa eu não fiz). E não só com estrangeiros, mas seu colega do lado também. Todo mundo tem sua história, sua criação, o contexto que cresceu, etc.

-Antes de julgar alguém olhe para si (outra coisa que obviamente eu não fiz). Será que você não faz o mesmo que julga ser errado nos outros? Tudo é um espelho, só vemos nos outros, o que também temos dentro de nós. Aquele ditado: medimos os outros pelas nossa régua.

-Não seja tão egocêntrico, saia do seu umbigo, enxergue os outros. Não somos o dono da verdade e sabemos de tudo. No meu caso, eu realmente só pensei que EU usava o garfo, e que EU não poderia ter sujado, é só os outros poderiam ter feito isso! (Mas quem fez obviamente fui eu).

-Não acuse ninguém sem saber.

Apesar de algo muito bobo, me fez refletir. Quando estamos fora do nosso contexto social, ficamos mais sensíveis e perceptíveis à algumas coisas. Fora da nossa zona de conforto, nossa personalidade, dificuldades e defeitos são simplesmente esfregadas na nossa cara.

Agora entendo perfeitamente, porque as pessoas dizem que crescem quando moram fora…